Texto do mandatário

Pessimismo da razão, optimismo do coração

Os  Deuses  devem estar loucos! Ou serão os tempos? Após a queda do Muro de Berlim, deu-se uma aceleração da Transformação de certos fenómenos geopolíticos e sociais.  A expansão e fortalecimento da corrente neo-liberal tinha já antes começado mas, com a implosão do comunismo soviético, tomou o freio nos dentes. A globalização acompanhou a emergência de novas  grandes potências  e de outros que aproveitaram essa grande vaga de fundo. Mas já muito antes, nos anos 80 do século passado, fora iniciada uma mudança radical dos modelos de investimento económico, passando a especulação bolsista a ser o vector primordial. O clima malsão daí nascido contaminou a ética do trabalho e, de então para cá, as coisas só pioraram.
    Isso leva os mais pessimistas a afirmar que a recente vitoria da direita, nas eleições para o Parlamento Europeu, revela que as pessoas deixaram de acreditar na ascensão pessoal baseada no trabalho, mas sim na aplicação, especulativa ou não, dos seus rendimentos. Isto em plena crise, reveladora da natureza predadora, corrupta e criminosa do capitalismo que temos. Tal a dimensão e intensidade da lavagem ao cérebro sofrida pelas populações, brutalmente condicionadas e infantilizadas.
     Face a esta perspectiva, necessariamente pessimista, em vez de luz ao fundo do túnel, anunciada pelos senhores comissários do sistema, talvez haja um buraco negro, pronto a tudo engolir.
    Que fazer? Em nome de que valores combater? Com que meios? E quais os protagonistas?

   É altura para escutar o optimismo do coração e das vontades.
   Para já, precisamos de sangue novo, que o velho está estagnado e doente. Para que a vida continue. É isso! A vida tem de ter razão sobre a morte.
   Tudo o que tem a ver com a direita revela corrupção e barbárie. A esperança está numa juventude que já denunciou o fedor pútrido do pântano do passado, que o quer evitar e combater, edificando ao mesmo tempo algo de  sólido e salutar.
   A nível político e europeu (e necessariamente nacional também) a esperança está  nas organizações, instituições e partidos ligados ao altermundialismo, defesa do ambiente, do ecossistema e do planeta: de uma sociedade mais justa, mais digna e mais sábia. Forças que denunciam e combatem o passado perverso.
   É o caso do Partido dos Verdes europeu e dos vários partidos rejuvenescidos  e voluntariosos como o Die Linke, na Alemanha e o Bloco de Esquerda, em Portugal, entre outros.
   Os Povos não podem continuar a confiar nos comissários políticos e económicos do sistema, que tudo traíram e entregaram o ouro ao bandido. Para já não falar da direita que, pura e simplesmente, se identifica,  e é, o sistema que está a assassinar o planeta, a cultura, a dignidade e os valores da espécie humana.

Apeles Espanca

 Setembro 2009

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