Entrevista ao jornal Região Sul

Quais as principais linhas que destaca do seu programa eleitoral?
Destaco a promoção da participação directa dos cidadãos na definição das prioridades do Concelho, nomeadamente através da implementação do Orçamento Participativo. A urgência em parar com a destruição do Centro Histórico e proteger as heranças culturais e paisagísticas. Combater a vida sazonal em detrimento de uma cidade com vida própria. Projectar um Concelho Atento ao Aquecimento Global e integrá-lo no mundo actual, reforçando a sua presença na Internet e projectando a sua identidade. Por fim, exigir a alteração à Lei das Finanças Locais para que os municípios deixem de ser financiados pela construção civil, através das licenças IMI e IMT, passando a receber uma dotação orçamental em função da população, carências e desenvolvimento.

Como analisa o trabalho de Júlio Barroso e do seu executivo à frente da autarquia de Lagos?
A política deste executivo tem sido uma política virada para a construção civil, em perfeito diálogo com os grandes construtores da região. Com obras que descapitalizaram a Câmara, sem preocupações ambientais e sem nenhuma visão estratégica de desenvolvimento do Concelho, governaram com políticas casuísticas, dispendiosas e de espectáculo. Nas acções desenvolvidas por este executivo, desenvolver significa construir.

 Uma das principais críticas da oposição ao executivo de Júlio Barroso em Lagos passa pelo aparente excesso de empresas municipais. Partilha desta opinião e porquê?
 
Estas empresas são mais uma forma de fugir a uma politica municipal transparente.

Estando intimamente ligada ao mundo das artes, podem os artistas de Lagos esperar um investimento maior neste sector caso venha a ser eleita?
Lagos sempre foi uma cidade que contou com a presença de artistas plásticos, músicos e escritores. Mas é imperativo promover uma política cultural que dê verdadeiro valor, utilize, divulgue e projecte as capacidades artísticas existentes no Concelho, esta é a prioridade.

- No vosso programa de campanha defendem que é necessário «criar um turismo responsável e sustentável». De que forma difere este intento da situação actual em Lagos?
A cidade de Lagos está a viver um ritmo desenfreado de crescimento, apoiado na expansão do betão, como se esse crescimento justificasse todos os actuais atropelos aos recursos naturais e locais do concelho. O PDM faz falta, tal como faz falta contrariar a sazonalidade deste turismo. Há que integrar os que nos visitam no habitat da cidade, na nossa cultura e vivência locais, conciliando o desenvolvimento com a ecologia e o ambiente. Só assim se consegue a viabilidade económica do sector, a criação de postos de trabalho não sazonais e uma Cidade que é Cidade de Janeiro a Dezembro

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