Urbanismo e Reabilitação do Centro Histórico
É prioritário repensar o urbanismo na cidade de Lagos. A ditadura de betão a que se assiste actualmente é bem evidente na continuidade da política municipal de crescimento urbano. Em surdez, insiste-se em apostar na construção de zonas habitacionais fechadas sobre si e de empreendimentos turísticos geradores de mais circuitos de consumo sazonal, numa estratégia meramente de crescimento periférico, alheia às necessidades reais dos habitantes locais, à dimensão populacional e aos elevados custos ambientais daí resultantes. Quem beneficia verdadeiramente com tanta construção? A população?
É pois urgente devolver à questão do urbanismo a centralidade que merece. O crescimento urbano modernamente pensado não se pode hastear somente na quantidade dos edifícios construídos, mas antes numa visão verdadeiramente estratégica e integradora dos patrimónios habitacional, ambiental e cultural. A avaliação duvidosa dos projectos urbanísticos só pode ser entendida à luz da falta de legislação reguladora. Onde está, então, o PDM? Qual o limite do perímetro urbano? Que critérios delimitam esse mesmo perímetro? Até quando continuaremos a assistir a uma política de interesses?
Não devem ser as pessoas a adaptar-se à massa de betão, ao invés, é o tecido urbano que deve moldar-se às suas necessidades e ao direito de viver com qualidade, tanto nas zonas mais recentes como no coração histórico da cidade.
Neste sentido, é imperativo pensar a longo prazo. O planeamento de novas áreas urbanas tem que incluir espaços abertos de lazer e de convívio, largos, praças, ruas, onde a cidade possa ser vivida em comunidade. As pessoas devem poder identificar-se com o local onde vivem, pois só assim se irão envolver activamente na preservação e cuidado do mesmo.
Em relação ao centro histórico, é necessário atrair mais jovens, proporcionando espaços comerciais, habitacionais e culturais a custos acessíveis, ajudando a reverter o factor de envelhecimento da população e a consequente degradação das habitações. Na reabilitação há que respeitar a traça e apostar nos materiais e técnicas originais, bem como criar incentivos fiscais para as entidades que, a título público ou privado, decidam enveredar por esta prática.
Em termos globais, é essencial rentabilizar energeticamente os edifícios, com a instalação de painéis solares e foto-voltaicos, é fundamental devolver a cidade aos moradores, construindo ciclovias e circuitos pedonais, e, finalmente, é urgente criar uma nova dinâmica de envolvimento da população relativamente ao espaço urbano, apostando numa vivência mais criativa da cidade, através de passeios históricos e circuitos temáticos, onde a arquitectura, a arte, as tradições locais e o artesanato sejam aspectos relevantes.






[...] É prioritário repensar o urbanismo na cidade de Lagos. O crescimento urbano não se pode hastear somente na quantidade dos edifícios construídos, mas antes numa visão estratégica e integradora dos patrimónios habitacional, ambiental e cultural. A avaliação duvidosa dos projectos urbanísticos só pode ser entendida à luz da falta de legislação reguladora. Onde está, então, o PDM? Qual o limite do perímetro urbano? Que critérios delimitam esse mesmo perímetro? O Concelho não deve aceitar mais esta política de interesses. Ler tudo [...]