Juventude

A cidade tem condições únicas para viver, sem a pressão de uma grande cidade, com o mar a um passo e um território que permite uma vida saudável.   Infelizmente, nem tudo é tão simples…

Quem sai para estudar, raramente volta depois de acabar o curso. Quem volta muito dificilmente encontra forma de se estabelecer profissionalmente e é aconselhado a voltar a sair. Os que ficam são obrigados a parar de estudar no 12º ano e a procurar um emprego. Rapidamente descobrem que são lugares indiferenciados, mal pagos (ou não remunerados – estágios) precários e com fracas probabilidades de subir na carreira. E ainda têm tendência para acabar com o fim do verão…

Os que saem para trabalhar voltam mas em férias!

A cidade não tem vida própria fora dos meses de verão. A maioria dos eventos culturais que surgem são efémeros, custam rios de dinheiro e têm pouca afluência. São eventos casuísticos, sem linha de orientação geral.

A aposta na educação tem sido a criação de novas escolas. Será que ainda não perceberam que os alunos não se importam se a escola é um edifício novo? A escola tem de estar preparada para mostrar um mundo novo que se faz em movimento. O que importa aos alunos são bons professores e boas iniciativas. Mesmo que seja numa escola antiga, mas com orçamento para poder levar os alunos em visitas de estudo, onde se possam desenvolver projectos, investigar e experimentar, fazer intercâmbios, trazer pessoas com experiência nas matérias leccionadas, comprar materiais e tantas outras coisas que não se podem fazer numa escola onde as paredes são novas, as salas climatizadas mas os orçamentos minúsculos…

É preciso criar incentivos para os jovens se estabelecerem, reabilitando prédios devolutos e desabitados para poderem ser arrendados por jovens à procura da sua autonomia. Criar esquemas de arrendamento a custo controlado para que se possam criar espaços comerciais e sedes de micro empresas.

A cidade está voltada para o mar e as gentes de olhos postos no azul nostálgico e nos seus problemas pessoais, que se agravam quando não são vividos em comunidade. A câmara tem de se voltar para as pessoas para que estas se possam voltar novamente para cidade. Não pode ser tudo para os turistas!

É urgente apoiar e incentivar a criação de associações de jovens proporcionando espaços onde se possam estabelecer e pegar em bons exemplos como o “Espaço Jovem” e o “Laboratório de Actividades Criativas – LAC” e desenvolvê-los com políticas inovadoras, dando condições reais para que se desenvolvam e não apenas parecendo apoiar para ficar bem.

Os lacobrigenses precisam de recuperar a motivação que têm vindo a perder. Os jovens sentem-se estrangeiros na sua própria cidade, já não há quase nada que seja deles. A iniciativa privada cria actividades para turistas, durante a época alta e com preços impossíveis para os locais.

Esta falta de ocupação tem trazido grandes problemas para jovens e não só, também os mais idosos se sentem ignorados e dispensados. Ambos os grupos têm ficado condenados a ficar a ver os barcos passar, quando existe tanta vontade de aprender e fazer, e conhecimento para trocar.

Para os mais jovens esta pois permitiu que se instalassem em Lagos grupos com o objectivo de explorar a decadência. Esses com muito sucesso! Muita gente se tem perdido por cá nos caminhos das dependências, quer do álcool, quer das drogas. “Sair à noite”, sem programa organizado, é desde há muito tempo, a maior actividade local para os jovens (menores incluídos), com os excessos a serem, dia após dia, cada vez mais normais. Os jovens têm noção do que se passa, todos os outros parecem ignorar a gravidade e a extensão do problema. E não conseguem perceber que tudo está ligado…

1 Comentário»

  Desbloquear Lagos « desbloquear Lagos escreveu @

[...] A beleza natural da cidade contrasta com as oportunidades oferecidas. É preciso inovar na educação e ligar a escola à cidade. Criar incentivos para os jovens se estabelecerem e conseguirem a sua autonomia. Habitação e mais apoio social a quem precisar. Investir em condições que permitam o auto-emprego e empregos com futuro. A aposta na cultura como forma de aumentar a coesão social, com continuidade e mobilização, em vez de eventos casuísticos sem público. É preciso mais ocupações do que “sair à noite”. Não pode ser tudo para turistas, os jovens também querem viver a cidade e ser ouvidos!   Ler tudo [...]


Deixar uma resposta

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Modificar )

Imagem do Twitter

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Modificar )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Modificar )

Connecting to %s

Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.